A QUEM INTERESSA ISTO?

O Brasil já criou o Dia Nacional de Combate ao Tabagismo (29 de agosto). O cigarro ceifa cerca de 5 milhões de vidas ao ano, por causa do câncer de pulmão, e é responsável pelo gasto de 200 bilhões de dólares em tratamentos de doenças causadas pelo fumo. No Brasil, são registrados 21.425 casos de câncer de pulmão por ano.

A quem interessa isto? Todos perdem nesta guerra, os cidadãos, a sociedade, o governo, especialmente os jovens e adolescentes mais vulneráveis. Somente a indústria tabagista lucra com este quadro! Creio que hoje, todos já sabemos dos prejuízos que o tabaco traz ao nosso mundo, especialmente no contexto de aparente inocência e modelo de machismo e segurança ligados à imagem do cigarro.

Não fossem pelas imagens de robustos heróis com cigarro na mão e, anos depois, corpos cadavéricos deitados em um leito esperando a morte, ninguém poderia levar a sério as advertências feitas sobre o tabagismo. Bryan Lee Curtis, americano de 34 anos, fumante desde os 13, que consumia dois maços de cigarros por dia e Wayne Mclaren, caubói dos anúncios do cigarro Malboro, foram devastados pelo câncer de pulmão. Aliás, ao buscar imagens na web para ilustrar esse meu artigo, fiquei chocado com os resultados da busca. Sugiro que façam a mesma pesquisa por imagens relacionada ao tabagismo.

Leis têm sido estabelecidas para proteger a sociedade dos danos sofridos por fumantes ativos e passivos. A questão do tabagismo já é consenso social. O que perguntamos agora é: a quem interessa a liberação da maconha? Pergunto sempre porque pessoas fazem apologia da Cannabis, nome científico da droga. Se o tabaco trouxe, e traz, tamanhos danos à nossa geração, imagine a maconha, que é reconhecidamente a porta de entrada para as chamadas drogas pesadas ou hard drugs.

Países de condutas consideradas avançadas ou abertas, como a Holanda, têm o uso de drogas liberado. Nossas autoridades e muitos políticos vacilam sobre que posição tomar, se continuam com nossas leis ou se “abrem” e se “modernizam”, a exemplo de países mais desenvolvidos. O que eles não divulgam é que, passados mais de 20 anos de tais práticas naqueles países, hoje se questiona profundamente a aceitação das soft drugs, ou drogas leves, como a marijuana ou o haxixe.

Lá, as clínicas estão lotadas, hospitais não têm leitos disponíveis e milhares de jovens tornaram-se “incapazes” do ponto de vista social. Jovens que precisam ser sustentados pelo Estado, que também fornece a droga para o consumo dos usuários.

A revista holandesa Elsevier, na sua 21º edição, trouxe na capa a reportagem “O perigo das drogas leves”, onde questiona seriamente os resultados da aceitação das chamadas soft drugs. O artigo diz que, em março de 1976, o governo holandês decidiu liberar o uso da maconha. Foi feita uma separação entre drogas pesadas (heroína, cocaína) e as inocentes (maconha, haxixe). O governo esperava que os usuários das drogas leves ficassem longe das drogas pesadas. Surgiram os coffeeshops, lojas que, ao contrário do que o nome faz pensar, vendem cigarros de maconha. Nos anos 90, a Holanda chegou a ter 300 coffeeshops, e alguns até cultivam suas próprias drogas.

O comércio das drogas leves abriu portas para o crime organizado. Muitas coffeeshops estão nas mãos de criminosos. Moradores de bairros pobres são pressionados por traficantes a cultivarem a maconha. A maconha desenvolve mais câncer do que a nicotina, pois o usuário da droga puxa mais fumaça e costuma deixá-la presa nos pulmões por mais tempo. A maconha têm sofrido modificações durante as últimas décadas. Por causa destas mudanças, alguns cientistas consideram que a cannabis pode ser considerada droga pesada.

A maconha é a única droga onde os principais consumidores são os jovens. A falsa idéia de que as drogas leves devem ser uma experiência dos tempos modernos, criou uma ilusão de que não nos fazem mal.

A questão se torna mais séria quando ouvimos três ex-presidentes latino-americanos, ex-professores universitários, como o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, do Brasil, e os economistas César Gaviria, da Colômbia, e Ernesto Zedillo, do México, defendendo a liberação da maconha.

É triste pensar que o Brasil não sabe para onde ir. Oscilamos em busca de soluções que parecem científicas, mas que apenas nos levam ao desastre e danos que dificilmente podem ser reparados.

No caso de liberação da maconha, não estaremos perdendo apenas dinheiro ou recursos, que muitas vezes podem ser repostos. Perderemos o que temos de mais precioso, que são nossos jovens e nossos filhos.

Portanto, toda vez que você encontrar alguém defendendo a liberação das “soft drugs”, pergunte: “a quem interessa isto? a serviço de quem está? quanto estará ganhando, de dinheiro lícito e ilícito, para fazer a apologia do caos e vender nossos jovens?”

Bp. Robson Rodovalho

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