Abra os olhos: o crack pode estar ao seu lado

O líder da Sara Nossa Terra, Bispo Robson Rodovalho faz uma reflexão sobre a expansão do consumo da droga entre os jovens e como unir igreja, família e Estado no resgate dessa geração e além da prevenção no futuro

Recente levantamento feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ligada ao Ministério da Saúde, revelou que cerca de 370 mil brasileiros, de todas as idades, usam crack e similares. Esse número corresponde a 0,8% da população das capitais do Brasil e a 35% dos consumidores de drogas ilícitas nessas cidades. Pior: 14% desse universo é composto por crianças e adolescentes, o que equivale a mais de 50 mil usuários na faixa etária inferior a 19 anos de idade.

Esse é o Brasil que muitos não querem enxergar – porque, de olhos abertos, vemos esse terrível quadro nas ruas. Se alguma coisa não for feita para estancar essa hemorragia, tais números serão muito maiores em cinco, dez anos.  De quem é a responsabilidade? Da família, do dependente, do Estado ou de todos juntos? O viciado, claro, tem sua parcela de culpa: em algum momento, ele optou por aquele caminho, ainda que tenha se sentido pressionado a isso. A família deve arcar com sua fatia, por ter sido impotente e não lhe ter oferecido um caminho alternativo. O Estado por não fazer nada. Aliás, o Estado, quando faz algo, é na linha de repreender, de castigar. O caminho que oferece são as cadeias, penitenciárias. Ótimo: aí o usuário troca a criminalidade ensinada que lhe é ensinada nas ruas para ser aluno na universidade do crime que funciona atrás das grades dos presídios em todo o país.

Nós precisamos dar as mãos para combater essa epidemia que tomou conta dos nossos jovens. Às vezes, um irmão mais velho alicia o mais jovem, os amigos, e vira um ciclo vicioso que prolifera nas escolas, no ambiente que eles estão vivendo. A solução não é única. Depende de um conjunto de fatores e forças da sociedade. E, nessa união de forças e condições, sem nenhuma dúvida, a igreja tem um papel importantíssimo, porque ela motiva o indivíduo a partir do seu interior, provoca essas mudanças de dentro para fora.

Quando um dependente escuta o testemunho de uma pessoa que saiu do mundo do crack pelo poder do evangelho, ele se motiva a deixar a droga também. Daí vem a importância do trabalho das igrejas evangélicas. Temos centros de recuperação para dependentes químicos, promovemos revisões de vida por meio das quais milhares de jovens são apresentados ao amor de Deus e por Ele confortados, são restaurados pela graça do Pai.

Já parou para pensar no que leva o jovem a procurar a droga? Geralmente ele começa com a maconha. Depois vai para a cocaína e a merla. O crack é a última parada nesse caminho de morte. E a crise está tão aguda que há milhares de jovens pegando atalhos neste caminho perverso e ingressando direto no crack, o que torna sua caminhada no mundo de Deus cada vez mais curta e nossa necessidade de agir cada vez mais imperativa e urgente.

No meu programa, Vida com Esperança, transmitido pela Rede Gênesis, entrevisto muitos nessa situação. Minha conclusão é que existem conflitos pessoais, vazios no coração, na alma, conflitos familiares. Aliás, se o filho não sente amor e valor do pai, ele também não tem valor, marginaliza-se, vai para uma gangue que o adota e assume como seus os valores deteriorados daquele grupo. Em outros casos, são as amizades. Já vi histórias de adolescentes que tinham uma família maravilhosa, não faltava nada dentro de casa, mas acabaram caindo nesse mundo obscuro. Os pais foram ausentes demais. Pai e mãe têm que saber com quem o filho está andando, ficar atentos ao comportamento dele, têm que ficar em cima mesmo! Para isso não existe ser antigo ou moderno. É ser pai e mãe de verdade, presentes, atentos como a vida exige e os filhos precisam – mesmo quando dizem não.

Quanto ao Estado, sua responsabilidade nesse conjunto é dar ao jovem esperança de futuro, garantindo-lhe qualificação para o exercício de uma profissão. Emprego eleva a autoestima de qualquer pessoa. A igreja tem motivado os jovens, feito um trabalho importante, mas o Estado precisa fazer valer o que está na Constituição e prover formação de qualidade para essa geração. O Estado tem que arregaçar as mangas e trabalhar.

Enfim, a família, o individuo, a igreja e o Estado precisam dar as mãos. Somente trabalhando juntos será possível refazer esses indivíduos.

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