Amor Que Fere

Observando esse mundo sob a perspectiva de quem entende razoavelmente de física quântica, pela minha formação, alinhado aos conhecimentos em teologia e filosofia, os quais estão sempre presentes em minha vida, descubro estar mais impressionado pela criação maior de Deus: o ser humano. Apesar de tudo, eu continuo a acreditar nesse ser que ama, briga, chora, ri e que, de alguma forma, também transforma.Não há nada mais bizarro do que ver uma criança ser surrada até a morte por tios ou até mesmo pelos pais; um pai que, durante um ataque de fúria, joga seu filho contra o pára-brisa de um carro ou ainda, outro pai que mata sua filha sufocada para demonstrar à ex-esposa que ama a família e não concebe a vida sem ela. Imaginem quantos outros casos parecidos que, provavelmente, não chegam ao nosso conhecimento? Isso nos assusta e nos faz questionar o mais sagrado e sublime de todos os sentimentos: o amor.

A família é um lugar de proteção, um refúgio, é o nosso “porto seguro”. Então, o que leva um pai e uma mãe a cometerem atos tão bárbaros contra seus filhos?

A violência doméstica é tão antiga quanto à história do homem. Há registros na primeira família de que se tem conhecimento. Adão e Eva perderam seu filho Abel, assassinado pelo irmão Caim, que se tornou, a partir de então, errante e fugitivo

A família é um terreno fértil para semear tanto o amor quanto o ódio; o medo ou a segurança; o apoio ou a traição; a saúde ou a doença. O poder para gerar o bem ou o mal está na família. Certamente, ela deveria ser o lugar mais seguro da terra, o laboratório da alma, onde se desenvolvem a auto-estima, o amor próprio e os traços do caráter. Também é o lugar onde os limites deveriam ser estabelecidos, criando cidadãos responsáveis.

No entanto, para nosso constrangimento, a instituição criada para proteger e amar está ferindo. O que se pode esperar de uma sociedade que perdeu, no decorrer dos anos, o real significado da palavra família? O que fazer para resgatar os verdadeiros valores, quando muitas famílias se formam precocemente, por acidente ou total falta de maturidade? Filhos que nunca se sentiram como tal, precisam se transformar naquilo que nunca tiveram: pai ou mãe.

O verdadeiro amor não fere, cura!

O verdadeiro amor não aprisiona, liberta!

O verdadeiro amor une e não separa!

O verdadeiro amor gera vida e não a morte!

O verdadeiro amor corrige e ensina!

Ele gasta tempo, cria o tempo e, se preciso for, ele pára o tempo.

Por trás de cada indivíduo existe uma história. Muitas de sabedoria, lealdade e verdade. Outras de leviandade, traições e vergonha. Por outro lado, vemos Moisés, o grande legislador e libertador do povo hebreu, sendo criado e amado por duas famílias. Alexandre, o Grande, também foi criado por sua mãe Olympia e pelo seu pai, o rei Felipe II, que incumbiram Aristóteles de ensinar seu filho, quando tinha treze anos de idade e já se destacava pela inteligência e intrepidez.

Este é nosso grande desafio: fazer de nossa família um grande laboratório de homens sábios e vencedores.

 

Bispo Rodovalho

Texto originalmente publicado aqui no meu blog em novembro de 2009, durante meu mandato como deputado federal, mas, infelizmente um tema ainda atual. Decidi postá-lo novamente como um chamado à meditação.

2 comentários em “Amor Que Fere

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