Estruturas do Novo Testamento

O Novo Testamento começa com um homem pregando a vinda de Jesus: João Batista. Seguia-o uma grande multidão. O mover do Espírito naqueles dias era um homem e uma multidão que era batizada nas águas por ele (Mateus 3). Em seguida, aparece Jesus sendo batizado nas águas. O ministério de João acaba e o do Filho de Deus se inicia. Jesus prega o Evangelho às multidões e chama alguns discípulos (Mateus 3 a 9). A estrutura aqui é um homem pregando as boas novas, vários discípulos e a multidão.

Porém, em Mateus 10, a estrutura muda. Jesus chama 12 homens dentre os seus discípulos e os envia: são os apóstolos. A palavra apóstolo significa enviado. Eram os 12 enviados por Jesus para curar e pregar o Evangelho. O vocábulo “apóstolo” tinha um sentido muito forte na cultura hebraica. Quando se falava em mensageiros de outra pessoa. Em Lucas 10, Jesus também separa um grupo de 70 discípulos para o auxiliarem. Portanto, observamos neste estágio evolutivo da organização do povo de Deus que a estrutura era: Jesus, os 12 apóstolos, os 70 discípulos, a multidão.

Jesus morreu, ressuscitou e subiu ao céu. No seu último sermão ele instruiu o povo a buscar a promessa do Espírito Santo, o poder do alto. Os discípulos o obedeceram. E o Espírito Santo desceu, conforme Atos capítulo 2. A Igreja cresceu, chegando a quase três mil almas no dia de Pentecostes (Atos 2:41). A estrutura organizacional do povo de Deus foi mudada: 12 apóstolos, os discípulos que os auxiliavam e a multidão de mais de três mil pessoas.

Deus continuou a mover com curas e manifestações sobrenaturais. Consequentemente, só de homens o número chegou a quase cinco mil (Atos 4:4). Imagino que se somarmos as mulheres e crianças, o número giraria em torno de vinte mil.

Estre crescimento trouxe problemas administrativos. As viúvas dos helenistas estavam sendo esquecidas na distribuição diária de recursos, na assistência social. Entretanto, os apóstolos não poderiam deixar de pregar a palavra para cuidar das viúvas, fornecendo cestas básicas de alimentação. A solução foi escolher pessoas dentre os discípulos que os ajudassem. Surgiram os diáconos (Atos 6). A palavra “diácono” significa “servo”. Quando a Igreja primitiva falava de servos, entendia-se que estes eram homens que “serviam às mesas”. Neste momento, a estrutura organizacional era: 12 apóstolos, sete diáconos, e uma multidão de discípulos comprometidos.

Em Atos 13, encontramos profetas e mestres, outra inovação. Deus chamou e o Espírito Santo enviou dois homens para pregar o evangelho: Paulo e Barnabé. Eles foram enviados por Deus, e “enviado” significa “apóstolo”. Assim, foram chamados de apóstolos. Lembre-se de que até aqui só eram considerados apóstolos os 12 primeiros. a estrutura aqui foi modificada novamente.

No capítulos 15 de Atos, encontramos a controvérsia sobre a circuncisão. Esse problema surgiu porque o apóstolo Paulo pregou para os gentios, isto é, para os povos não judeus. Até então, os cristãos eram judeus e se circuncidavam quando se convertiam. Surgiu a polêmica. Para ser cristão é necessário se circuncidar? A solução teológica foi resolvida em Jerusalém. Reuniram-se para deliberar sobre o assunto, Paulo, Barnabé, os doze apóstolos e os presbíteros (Atos 15:4). Pela palavra de Tiago, decidiram que aqueles que não eram judeus, ao se converterem, não deveriam se circuncidar (Atos 15:19-20). O interessante em toda esta narração é o fato de que neste estágio a estrutura da Igreja era: 12 apóstolos de Jerusalém, os apóstolos Paulo e Barnabé, os presbíteros (ou anciãos), os diáconos e a Igreja propriamente dita.

A inovação que detectamos aqui é a dos presbíteros. A palavra “presbítero” significa “ancião”. Os anciãos têm sua origem nas Sinagogas. Eram eles que dirigiam os trabalhos lá. Foi uma estrutura transportada da sinagoga para a Igreja. Provavelmente, devido ao grande número de cristãos, os 12 apóstolos sentiram necessidade de homens maduros que os ajudassem a apascentar o rebanho e, então, surgiram os presbíteros.

Mais adiante, quando lemos as cartas paulinas, observamos que a estrutura de Paulo para a Igreja era: Paulo como apóstolo, os bispos e os diáconos (I Timóteo 3). Já em Apocalipse, o apóstolo João, quando escreve às igrejas. diz: “ao anjo da igreja”. A palavra “anjo” significa “mensageiro”. Cada igreja tinha um mensageiro, um líder que era responsável, um bispo que a governava. João dirigiu suas cartas as esses bispos.

Podemos concluir que, tanto no povo de Israel como na Igreja primitiva, não houve estrutura rígida, inflexível, dogmatizada. Constantemente, segundo o mover de Deus, surgiam novos cargos, novas organizações, novas formas de administrar, novas formas de se expressar.

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