Manifestação Pacífica é SAGRADA

Acho muito importante a igreja se posicionar a respeito das manifestações que estão acontecendo em várias cidades brasileiras, principalmente nas capitais. Muita gente perguntou minha opinião a respeito, e por isso eu decidi torná-la pública neste artigo.

Primeiro, quero deixar claro alguns princípios importantes, sendo o principal deles: toda manifestação pacifica é sagrada. O povo em sua democracia tem o direito de se expressar e sair às ruas. Isso é democrático. O povo tem o direito – e até a responsabilidade – de se posicionar, manifestar-se pacificamente.

A população é que sabe o quanto lhe dói chegar a um hospital e não ter atendimento, ser obrigada a pegar um ônibus velho, sujo, pagando um preço extorsivo, que não cabe no bolso do trabalhador. Falta infraestrutura, segurança, educação… Bem, a lista do que falta no Brasil é extensa!

Claro que o país avançou, mas ainda existe muito a fazer. Todos nós brasileiros sabermos das dificuldades do Brasil. E igualmente sabemos que não se reestrutura um país como o nosso em um governo de quatro anos. Isso exige muito planejamento, boa vontade e investimentos que respeitem prioridades. Os recursos são poucos e as necessidades são muitas. Portanto, é fundamental depositar e investir nas demandas corretas.

Não sou contra a construção de estádios. Pelo contrário: acho louvável erguer as arenas. Mas não concordo – nem posso concordar! – com investimentos que não respeitem a prioridade de outras demandas que merecem mais atenção, que são mais emergenciais.

A igreja pode se posicionar? Deve, como cidadãos que somos. Não vejo problema nenhum. Agora, esse posicionamento também tem que ser pacífico. O que não podemos aceitar é instituição, pastor ou Bispo, “pegando carona” na popularidade do momento. Essa manifestação começou e ganhou as ruas com jovens estudantes. Daí vem uma igreja, líder político ou religioso tirar proveito disso? Não concordo com essa postura, que beira o oportunismo. Quem for desse segmento que vá anonimamente, não para obter qualquer ganho de imagem. A participação deve ser para um bem, uma causa, pela justiça – e que seja para a paz.

O direito de se manifestar é de todos. Impedir isso seria engessar um país. Somente acho que esses atos deveriam ser programados para horários e locais mais apropriados, a fim de que não trouxessem tantos danos. Seria até mais inteligente pensar e agir desta forma. Afinal, se é em benefício daquele que também precisa ir e vir pelo transporte público, daquele que estuda e trabalha, os manifestantes poderiam se organizar para lhes garantir esse direito.

Chega! O grito do brasileiro, que estava preso na garganta de muitos, agora está ecoando por aí. E tem mesmo que ser posto para fora. Da mesma forma devemos trabalhar não para o caos, mas para que possamos mudar o Brasil para melhor.

Acho que o governo já poderia ter atendido ao clamor das ruas. Recursos para a Copa e demais competições já foram impostos. Quanto a isso, não há o que se fazer. Mas 2014 está aí. Se um ano antes das eleições já ouvimos em alto e bom som o clamor das ruas, todos os sinais são de que a resposta será dada nas urnas. Muitos vão pensar mais do que em Copa do Mundo no próximo ano. Acredito que se muda um país por meio da oração e eleição.

*Bispo Robson Rodovalho é fundador e presidente da igreja Sara Nossa Terra. Teólogo e físico, escreve sobre temas religiosos, liderança e a relação entre espiritualidade e física quântica

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