OS CHINELOS DO BRASIL

Em fato recente, o juiz da 3ª Vara do Trabalho, Bento Luiz de Azambuja Moreira, cancelou a audiência pelo fato de uma das partes, o trabalhador rural Joanir Pereira, estar usando um par de chinelos.

O Juiz considerou o calçado “incompatível com a dignidade do Poder Judiciário”, não ouvindo ao apelo do advogado do trabalhador, Olímpio Picoli.

O trabalhador Joanir é um homem humilde, desempregado e analfabeto, e estava usando seu melhor traje. Ele representa uma grande parte dos brasileiros, que não possuem outro calçado, além de um par de chinelos.

Esse episódio retrata bem o Brasil que vivemos atualmente, aliás os diferentes Brasis que hoje convivem juntos, porém, completamente segregados. Um deles é o Brasil das classes privilegiadas, que ganham seus fartos salários com todas as garantias da lei, e o outro é o Brasil da grande maioria, que anda de chinelos, não tem acesso à escola, à capacitação trabalhista e, pelo jeito, está perdendo até o direito ao acesso básico à sua cidadania.

Se até a justiça lhe fecha as portas, o que este Brasil pode esperar? Qual a esperança desses irmãos, sem privilégios, em um país onde se acha tais decisões normais, ou até corretas?

O Estado brasileiro é de todos e para todos. Ele deve estar a serviço da sociedade, para cumprir seu papel básico, onde todos são iguais, indistintamente. Aliás, se alguém precisa ter a prerrogativa da proteção, são os socialmente desprotegidos.

O Juiz Bento Luiz perdeu uma grande oportunidade de exercer seu papel de magistrado imparcial e representar um Estado soberano e amadurecido, onde todos recebem abrigo, proteção e o direito à sua cidadania, independente de estar usando sapatos “cromo alemão” ou um simples par de chinelos. Aliás, Jesus de Nazaré, que veio a este mundo como o Rei dos Reis e o Senhor dos Senhores, só usava chinelos .

Dep. bispo Rodovalho

Brasília, 01/09/09.

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