Folha de S.Paulo publicou, dia 17-11, artigo de Robson Rodovalho com o título “Manipulação da Fé”

A Folha de São Paulo publicou um excelente texto do Bispo Rodovalho, em destaque na capa do jornal de maior circulação do país. O texto fala sobre a manipulação da fé que ocorre antes e após os pleitos eleitorais no Brasil. A matéria foi comentada por várias personalidades, entre eles o deputado Marco Feliciano que pelo twitter fez excelentes comentários sobre a publicação.[quote]Agradeço ao @BispoRodovalho por me citar como político atuante pela causa da família na brilhante matéria publicada na Folha de SP hoje. @MarcoFeliciano[/quote]

Segue o texto na íntegra que foi também publicado na versão web da Folha:

Robson Rodovalho: Manipulação da fé

Sempre que as eleições se aproximam, os evangélicos ganham páginas de jornais e revistas, além de preciosos minutos nos telejornais, como se vivessem adormecidos e ressurgissem a cada dois anos, somente em época de campanha.

A abordagem das notícias geralmente é crítica àquele candidato que, por exemplo, vai a um culto ou se reúne com algum pastor. A notícia, em tom usualmente pejorativo, registra: “Agora vale até rezar”, ou “no vale tudo da eleição, vale até recorrer às igrejas e à fé”. Aí, ao criticar o candidato, acaba por desrespeitar os evangélicos.

Não tem como ignorar o tratamento “diferenciado” –e até discriminatório– que parte significativa da imprensa usa para se dirigir a um segmento cada vez mais expressivo da sociedade, cuja participação nas decisões sobre os rumos do país, em alguns casos, é determinante.

Trata-se de um grupo da mídia que, ou desconhece essa realidade, ou, e aí mora o problema, conhece os fatos, porém resiste a conviver democraticamente com opiniões que são divergentes das suas.

Nas eleições passadas, as bandeiras da fé e da religiosidade tomaram o debate, não obstante as críticas dos “iluminati”. E assim se fez porque, na democracia, o voto é do povo e é esse mesmo povo que prioriza os temas no período eleitoral.

Graças a Deus! Os posicionamentos dos candidatos em relação a temas como aborto e união civil de pessoas do mesmo sexo foram os mais observados pelos eleitores na hora de decidir o voto em 2010.

É justamente nessa parcela, que prestou atenção a temas tão delicados, que estão presentes mais de 42 milhões de eleitores evangélicos.

Essa não é uma percepção minha, apenas. Cada vez mais, nosso país se transforma em um mosaico que reflete a integração de culturas de nações do mundo inteiro. Mais do que necessário, é vital sermos uma sociedade de respeito às diferenças.

Até países tidos como progressistas, a exemplo da França –de François Hollande, que legalizou o casamento gay, e de Frigide Barjot, líder do movimento Manif pour Tous, que liderou as megamanifestaçōes em favor da vida e da família e contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo–, na contramão de qualquer expectativa, demonstraram esse respeito.

Os evangélicos, por somarem um número expressivo de eleitores, capaz de decidir qualquer pleito no Brasil, ganham os holofotes com sua fé reduzida a propósitos eleitoreiros. Tornam-se a noiva almejada para ir às urnas. Porém, passado o pleito, são tratados como a amante inconveniente a ser ignorada.

Apesar de termos políticos que tentam nos representar em posicionamentos opostos, como a ex-ministra Marina Silva (PSB) e o deputado Marcos Feliciano (PSC), além de vários outros que procuram surfar na onda dessa representação, a grande massa dos evangélicos continua silenciosa. Mas não inerte.

Os evangélicos têm amadurecido a consciência política, a começar pela negociação com candidatos para o cumprimento de promessas de campanha firmados pela defesa da vida e da família. Têm cada vez mais clareza sobre a importância do seu voto. E é assim que tomarão sua decisão, modulando o país para a realidade em que acreditam, como cidadãos de um país democrático.

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