Sim: Eu já fui do espiritismo!

Não é segredo para ninguém que fui espírita durante muitos anos. Minha família era firmada no espiritismo, invocava os guias e uma das experiências que tive na religião foi quando minha irmã sofreu um acidente de trânsito. Não quero aqui denegrir a imagem de nenhuma religião, mas como muitas pessoas perguntam sobre a relação que tive com essa religião, não posso me calar diante de tantos fatos que aconteceram em minha vida e da minha família. E posso dizer, como toda a certeza do mundo, que fui resgatado pelo Evangelho de Jesus Cristo. Hoje eu falo das minhas experiências para demonstrar que minhas convicções não são feitas de “achismos”. E uma das experiências que tive, quero compartilhar aqui. Lembro como se fosse hoje desse episódio…

Eram 19h e, como combinado com um amigo, fui à casa dele para sairmos juntos. Antes que tocasse a campainha, alguém saiu de dentro da casa; em seguida veio outra pessoa, e outras mais passaram por mim correndo. Finalmente, encontrei o amigo e ele me perguntou:

— Você já sabe?
— Do que?
— Do acidente.
— Não, não sei de nada.

Enquanto nos dirigíamos ao hospital, ele me contava detalhadamente o ocorrido: num acidente de trânsito, sete pessoas ficaram gravemente feridas e, entre elas, estavam minha irmã e a irmã dele. Uma pessoa havia morrido e outras pessoas estavam em coma. Ao entrar no hospital, procuramos saber da situação dos acidentados. Minha irmã estava em situação mais grave.

Pelo fato de estarem presentes diversas famílias das vítimas e cada um com suas crenças e expectativas, havia diferentes reações entre elas. Enquanto minha que era espírita invocava os guias, os católicos rezavam e os evangélicos oravam ao Senhor Jesus. Eu me sentia satisfeito com as respostas espirituais que possuía. Para mim, a religião espírita era perfeita e também acreditava em Deus.

Começamos a invocar e a pedir a ação dos deuses que conhecíamos. Entretanto, percebemos que não obtínhamos respostas. Minha irmã estava ficando pior e seu quadro não se estabilizou, até que nossos amigos evangélicos começaram a interceder por ela. Com a perseverança das intercessões e orações, o quadro clínico foi se revertendo e minha irmã foi melhorando, até que recebeu alta, alguns meses depois.

Esta experiência foi o primeiro golpe nas minhas convicções. A certeza que eu possuía de que aqueles guias me conduziam a Deus e que intervinham por mim ficou profundamente abalada. Alguns meses depois, recebi o golpe final na convicção que tinha da existência de Deus e do Seu cuidado para comigo. Era época de férias escolares e eu fui ajudar meu pai na lida com a lavoura da fazenda. Como todo adolescente, assistia a filmes de violência, e meus prediletos eram os de histórias de heroísmo. Havia um verdadeiro mundo de fantasia em meu interior. E eu alimentava minha ilusão manuseando, às escondidas, as armas que meu pai possuía na fazenda. E, numa fatídica tarde, eu fiz como em muitas outras: peguei a espingarda de meu pai. Depois, fiquei alimentando e retirando os cartuchos da espingarda repetidas vezes, apenas pelo prazer de encenar o meu papel de mocinho. Neste “êxtase pueril”; você esquece do mundo e encarna a fantasia de ser o herói que derrota o poderoso exército inimigo, usando poderosas armas de guerra. Num momento de descuido, um dos cartuchos não se ajustou e eu o forcei. A espingarda disparou. O barulho e a fumaça, provocados pela explosão, drasticamente me despertaram do meu devaneio juvenil. O que eu não podia esperar é que o disparo acidental fosse atingir alguém. O caseiro da fazenda tinha feito o caminho por trás da casa e entrado pela porta da cozinha até o alpendre. Exatamente no momento do disparo.

Naquela época, lembrei-me de uma experiência intrigante que havia acontecido anos antes, quando eu e minha mãe assistíamos, como de costume, a sessão espírita que frequentávamos. Numa noite, quando a sessão havia iniciado e o médium começava o ritual bebendo uma garrafa de pinga e o sangue de uma galinha asfixiada, um homem que estava na parte de trás do salão levantou a voz e se dirigiu aos presentes dizendo:

— Isto é uma mentira! Vocês estão sendo enganados pelo diabo. Deus não está aqui!

Podíamos ver que o homem estava bêbado. Ele continuou dizendo:

— O caminho certo está ali! – e apontou o dedo para uma igreja evangélica que ficava quase em frente. O pai de santo tentou fazê-lo se calar, mas não conseguiu. Eles se atracaram e rolaram pelo chão. O bêbado esmurrou o médium, se levantou e saiu dizendo:

— Eu sou um desviado de uma igreja evangélica, mas sei que é lá que está a verdade.

Eu e minha mãe nos levantamos e fomos embora. A sessão espírita foi interrompida, pois todos correram. Aquele incidente ficou gravado em minha mente. Minha amargura perdurava, até que, quase um ano depois, por convite e insistência de alguns amigos, fui ao acampamento de jovens organizado pela igreja que eles frequentavam. Fui ao acampamento com a impressão de que lá não haveria nada de especial para mim. Via, naquele retiro, apenas uma oportunidade para estar junto de meus amigos.

Porém, diante das palestras e dos estudos da Bíblia que tivemos naqueles dias, argumentos que sustentavam minhas abaladas convicções espíritas foram rebatidos. Bases bíblicas como “…não consultar os mortos…” (Deuteronômio 18:9-12) e “Aos homens está ordenado morrer uma só vez, vindo, após isto, o juízo” (Hebreus 9:27) bombardearam minhas crenças na reencarnação e, pela primeira vez, aceitei que o caminho seguido por meus pais e por mim poderia não ser o que conduzia a Deus, mas sim um dos que conduziam ao engano. Mas, se não era aquele o caminho, qual seria então? Haveria a possiblidade de encontrar o Deus verdadeiro?

A última reunião do acampamento tinha se iniciado. Todos estavam sentados em volta da fogueira, ao ar livre, envoltos em cobertas para se proteger do frio. Fui o último a chegar e me sentei atrás dos que ali estavam, tomando certa distância da fogueira. Embrulhei- me num cobertor e tentei me juntar às vozes dos que cantavam uma canção ao Senhor, embora não tivesse segurança da letra. A reunião se desenvolvia idêntica às outras que tivemos durante toda aquela semana. Durante aqueles dias, fui levado a questionar as teorias espíritas nas quais me apoiava. Apagaram-se as minhas convicções e, no lugar delas, ficou um vazio.

A maneira forte e convicta com que o pastor pregava naquela noite mexeu comigo. Perguntas como: “Você sabe qual o sentido da vida? A vida para você é uma fuga de si mesmo?” tocaram profundamente a minha alma. Eu não possuía as respostas; a minha alma não tinha paz, minha vida era um tormento de dúvidas e incertezas, eu fugia de mim mesmo a cada instante, não queria me confrontar comigo mesmo. No final de sua mensagem, aquele pastor desafiou a todos:

— “Se você não crê que Deus existe, por que não faz uma tentativa de encontrá-lo? Levante os olhos e diga: se Tu existes, Deus, quero te encontrar! Eu quero a certeza disto! Eu te darei minha vida, se fores real.”

Aquele desafio me tocou. Eu disse comigo mesmo: se Deus existe, eu quero conhecê-Lo e viver para servi- Lo. Minha vida não tem sentido da forma como é. Estou disposto a mudar, caso eu O conheça verdadeiramente.

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